Neste ano do Dia das Letras Galegas dedicado ao meu paisano dom Ricardo Carvalho Calero e do coronavírus, duas cousas chocantes, totalmente inesperadas, tenho pensado e escrito muito sobre a nossa língua. Hoje trago-vos uma reflexão sobre o chamado conflito normativo que argalhei hai uns meses. Aí vou:

O galego é uma língua que precisa da utopia para sua sobrevivência.

No tocante a utopias temos dous modelos. O isolacionismo e o reintegracionismo.

O primeiro modelo semelha ser realista hoje, porque na atualidade é o modelo mais estendido.
Mas a longo prazo é um modelo utópico, porque imagina que o galego vai sobreviver se continuamos a aplicar as mesmas políticas que já o têm quase matado por diluição no castelhano.

O segundo modelo foca-se no futuro. Em que para sobreviver o galego precisa de se reintegrar no ecossistema galego-português. Eu penso que nisso é realista. Mas olhando desde o mundo atual, no que já temos andando um longo trecho fugindo do português, esta opção vê-se muito utópica.

Daquela eu cuido que o único caminho possível é passarmos da opção mais realista atual à mais realista do futuro. Aceitar que já fumos isolacionistas mas o futuro estará na reintegração, seja ela como for.

O futuro ainda não está escrito. Já estamos caminhando entre utopias; elas vão conformando a realidade.

Um pensamento sobre “As utopias da língua

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